JOÃO BATISTA MARRA – TONICO BATISTA

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Tonico Batista – nasceu a 5 de março de 1875, em Patos de Minas. O sex to filho de uma irmandade de 9 irmãos de Antônio Batista Leite Mendes e Maria Joaquina Marra.
Fez o curso primário em escolas particulares, adquirindo conhecimentos bem avançados, que lhe facilitaram a vida de comércio, profissão que sempre exerceu até 1914, quando se casou com Balbina de Araújo Fonseca, viúva de Secundino José da Fonseca.

Transferiu, então, sua residência para Santa Rita de Patos, onde se estabeleceu como comerciante, com loja bastante sortida dos mais variados artigos, como era comum na época.
Assumindo a tutela dos quatro filhos menores de sua esposa (José Secundino, Maria, Antônio Secundino e Carolina), passou a administrar os bens de todos, constituídos de fazendas, gados e plantações. Tão zeloso foi no cumprimento desse dever que chegou a se tornar forte fazendeiro na região, adquirindo outras fazendas, explorando-as com inteligência.

Em Santa Rita, nasceram seus dois primeiros filhos, Oscar e Fernando.

Transferindo residência para Patos de Minas, lá nasceram Sara, Ozanam e Hena. Voltando para Santa Rita, chegou a filha caçula, Margarida. Pai extremoso, jamais fez distinção no trato aos enteados e aos filhos legítimos. Educou-os com exemplar auxílio da esposa, encaminhando-os a bons colégios, respeitando sempre a vocação manifestada de cada um.
Espírito aberto ao progresso, lento, aliás, na época, participava de todos os movimentos comunitários que visavam o bem comum. Foi companheiro de Farnese Maciel e outros para a construção da primeira estrada de automóvel ligando Patos de Minas a Santa Rita.

Essa estrada, toda construída a picaretas e enxadas, sem uso de máquinas, com carroças puxadas por burros, era como não podia deixar de ser, cheia de curvas e subidas íngremes, margeando as encostas das serras e os ribeiros. Inaugurada em 1922, nela os usuários pagavam o devido pedágio, por ser a estrada particular.

Encampada, anos mais tarde, pelo Estado, foi apenas alargada, conservando o mesmo traçado sinuoso e até perigoso, até 1982, quando foi inaugurada a atual estrada asfaltada pelo Governador Francelino Pereira. Construiu, também, pela Sociedade Agropecuária São Braz, a estrada de automóvel para Lagamar e São Braz.

Tonico Batista foi um grande benfeitor de Santa Rita. Manteve, durante anos, com a colaboração de amigos e companheiros políticos, a Escola Primária, gratuita para todos os alunos. Dos professores que regeram essa Escola, merece destaque especial o professor Eduardo Lopes, educador nato, inteligência e cultura privilegiadas. Muitos dos seus ex-alunos estão ainda hoje em atividades diversas em Presidente Olegário, honrando e relembrando, orgulhosos e saudosos, os ensinamentos recebidos do ilustre professor.

Certa ocasião, no intuito de dar mais conforto à família, Tonico Batista instalou, no Bicame, um “carneiro”, canalizando água para sua residência. Nada egoísta, pensando facilitar as coisas para a comunidade, instalou um chafariz no Largo da Matriz, onde, constantemente, pessoas estavam recolhendo a água pura do “Bicame”, sem necessidade de subir o morro com a lata d’água na cabeça.

Católico praticante, tinha especial devoção a Nossa Senhora da Abadia e a Santo Antônio. Todos os anos promovia os festejos deles, na época própria, com devoção e entusiasmo. Muito sociável e comunicativo, porém, fazia castelos, contrandanças, fogueiras, pau-de-sebo, etc. Após a novena, era um prazer ver o largo cheio de gente alegre participando dos leilões e das mais variadas brincadeiras.

Em 1939 a Vila de Santa Rita de Patos passou a ser a cidade de Presidente Olegário. Tonico Batista e Da Balbina, já com os 10 filhos e mais um punhado de sobrinhos adotivos criados, foram ainda parte dos organizadores das festividades comemorativas.

Fato marcante na vida de Tonico Batista: cuidou de toda a família. Foi amparo do pai e da mãe enquanto viveram. O mesmo fez pelos irmãos, assistindo-os a todos até o final de suas vidas. Recolheu, criou e educou os sobrinhos que ficaram órfãos. A família, criada, foi se espalhando. Os enteados e os filhos se casaram. As três filhas – Sara, Hena e Margarida – se consagraram a Deus, como Missionárias de Nossa Senhora das Dores.

No seu leito de morte, em casa dos filhos Oscar e Iracema, em Patos de Minas, rodeado pelo carinho da esposa e dos filhos, depois de confortado com os sacramentos da Igreja, que ele sempre amou e respeitou, teve o seguinte desabafo: “Graças a Deus, posso morrer tranqüilo. Se algum de vocês se desviar, nada me pesa na consciência, pois eu ensinei e dei o exemplo.” Morreu tranqüilo, aos 85 anos de idade, no dia 10 de abril de 1960.

Sebastião de Freitas, quando Prefeito de Presidente Olegário, num gesto de justiça e de gratidão, homenageou a sua memória, indicando o seu nome como patrono do grupo escolar, criado e instalado em sua administração, hoje Escola Estadual “Tonico Batista”.

Fonte: Livro Terra da Esperança / Oliveira Melo

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